terça-feira, junho 28, 2005

Da encarnação animal do coração…

… ou de como este não é afinal um cão vadio a fuçar caixotes e a beber libérrimo das sarjetas, como supunha, mas antes uma besta de carga, ou quanto muito uma jaleca piegas. O’Neill escreveu-o (mais abaixo) quando eu tinha ainda apenas dois anos de idade. E há que dar-lhe razão! Por uma questão de senso, talvez, e não pela eventual autoridade sobre as coisas do coração que possa ser atribuída ao poeta…
Não digo pelas palas que cobrem os olhos da besta. Já seria motivo mais que suficiente. Tem antes que ver com as estacadas teimosas… que duram, enquanto duram, e ninguém percebe porquê… até que um dia toma o trote alucinado que a leva a outras paragens.
Ninguém entende. Ele há cenouras, e ele há paus. Mas, são só manobras habilidosas de quem não sabe de outro modo melhor lidar melhor com as manias estuporadas do coração…
Também há segredos que se contam e palavras mágicas. Sucede com a mula apaixonada e suicida que Emir Kusturica coloca sobre os carris na hora de salvar os protagonistas de A Vida é um Milagre para que o filme faça jus ao intitulado. Só por milagre é que coração salva vidas, e mau grado a sua teimosia cega.